Juan Gelman

Poemas de Juan Gelman
Os poemas abaixo foram transcritos do livro Amor que serena, termina?, edição bilíngue publicada pela Editora Record, em 2001, com tradução e seleção de Eric Nepomuceno. As traduções foram revisadas por Chico Buarque de Hollanda. Reproduzi traduções apenas de poemas escritos em sefardita. Provavelmente Juan Gelman escreveu os 29 poemas em sefardita que compõem Dibaxu (Debaixo) num processo de apreensão lírica do exílio, buscando na velha sonoridade judaico-espanhola uma expressão poética capaz de traduzir a diáspora promovida pela ditadura argentina.
Amor
que serena, ¿termina?
amor que serena,
¿termina?
¿empieza? ¿qué nueva
vejez le espera por
vivir?
¿qué fulgor? amor
asomándose
de sí mismo a sí
mismo siendo
también memoria de sí
comiendo
de sí, ¿qué vieja
sombra le chupará la
nuca? oh pestes
que visitaron mi país
atacaron se fueron
ajenas como el viento
Dizis
avlas cun árvulis
dizis avlas cun
árvulis
tenin folyas qui
cantan
y páxarus
qui djuntan sol
tu silenziu
disparta
lus gritus
dil mundu?
Dizes
palavras com árvores
dizes palavras com
árvores
têm folhas que cantam
e pássaros
que juntam sol
teu silêncio
desperta
os gritos
do mundo/
Poema
XVII
un venti di separadus
di bezus qui no mus
diéramus
acama il trigu di tu
ventre
sus asusenas cun sol
veni
o querré no aver
nasidu
trayi tu agua clara
las ramas floreserán
mira istu:
soy um niniu rompidu
timblu nila nochi
qui cayi di mí
Poema XVII
um vento de separados
de beijos que não nos
demos
acalanta o trigo do
teu ventre
suas açucenas com sol
vem
ou desejarei não
haver nascido
traz tua água clara
os ramos florescerão
vê isto:
sou um menino
quebrado
tremo na noite
que cai de mim
que cai de mim
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