Antes que anoiteça
Domingo é dia de tirar as escamas do corpo, fechar as cortinas, passar a chave na porta pela manhã, aprisionar por duas ou três horas o desencanto no apartamento e sair ao sol, esse estranho senhor de terno amarelo. Depois é estirar a nebulosa da mente por dez quarteirões à frente, contornar uma praça entregue às moscas e voltar pela calçada do muro do cemitério, escutando vozes lamentando-se por tudo que não fizeram. É aí que a nebulosa se desfaz, aperto os passos para dizer algo aos meus filhos antes que a minha voz amplie o coro.

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