José Paulo Paes

José Paulo Paes (1916-1998)
foi um dos grandes poetas da segunda metade do século passado. Aliava alta
voltagem experimental, apurada pesquisa de linguagem, humor certeiro e
claro envolvimento nas lutas do seu tempo. Um dos poucos que fez poesia para as
crianças sem perder a qualidade. E ainda por cima apresentou-me a dezenas de
poetas de outras épocas e latitudes. Dívida impagável..
Termo de responsabilidade
mais
nada
a
dizer: só o vício
de
roer os ossos
do
ofício
já
nennhum estandarte
à
mão
enfim
a tripa feita
coração
silêncio
por
dentro sol de graça
o
resto literatura
às
traças!
Metamorfoses
sou o que sou:
o silêncio após o mas
e o ou
fui o que fui:
um ruído entre
o constrói e o rui.
fosse o que fosse:
a ponte (que pena!)
quebrou-se
ser o que seria:
já crepúsculo mal
começa o dia?
e o ou
fui o que fui:
um ruído entre
o constrói e o rui.
fosse o que fosse:
a ponte (que pena!)
quebrou-se
ser o que seria:
já crepúsculo mal
começa o dia?
Teoria da relatividade
devagar
se vai longe
mais
perto de deus o ateu
do
que o monge