A morte quer me adicionar à lista de amigos
A morte se aproxima
como a mulher do próximo
num paroxismo de carne apodrecida
e córneas caídas das órbitas.
Já lhe disse ao celular:
tenho células avessas a vadias vesgas,
não tenho onde cair morto,
moro entre nômades no ar.
Sem vergonha, a Marilyn Me Rói
decadente nega as flores
com um rifle potente
puta porque eu não quis
chamá-la de Leila Diniz.
Me atinge como onda asquerosa
o hálito de esgoto da coca-cola letal
nos lábios lacerados pelo sol de Kandahar.
(Afirmam anônimos especialistas:
- A morte foi patenteada pelo Pentágono).
Já vejo o livro dos mortos
abertos na letra J.
(Idiota, há muito mudei o meu nome
para o alfabeto inca-venusiano).
Venha, madona das más notícias.
Vamos dançar um samba imortal.
Não vou rezar nem me arrepender de nada.
Recuso o Inferno e o Paraíso.
Beberei até o fim a água da vida.

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