Desonra
Volto da guerra sem uma perna
sem um futuro
com dez medalhas
nova patente
milhares de crimes
e cem cartões postais do inferno.
Volto da guerra sem uma perna
perdi a pátria no campo de batalha
a munição não acabou
a vontade de matar também não
o ódio sempre foi financiado
com alta taxa de retorno
mas eu já não existo mais.
Sou um fantasma fardado
meus inimigos falavam a minha língua
alguns estudaram na mesma escola
seus olhos não acreditaram na minha selvageria
alimentada por ordens do dia
e editoriais patrióticos
regiamente remunerados.
Volto da guerra sem uma perna
sem um passado
tudo o que fui
ficou ao lado
da pequena cantora de sambas
que dançava em campo minado
e do assombro da boneca de pano
lançada cem metros adiante.
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