Cecília Meireles









Eis o belíssimo décimo segundo poema de Metal Rosicler, de Cecília Meireles.

 

Quem me quiser maltratar,

maltrate-me agora,

pois é tarde, e cansado

de trabalhos e penas,

quem se defende a esta hora?

 

Quem me quiser renegar,

renegue-me agora,

porque o meu sono é tão grande

que tudo aceito, - nem sinto

se alguém se for embora.

 

Quem me quiser esquecer,

esqueça-me agora:

que eu não lamento nem sofro,

tonta do dia excessivo.

Tão sem força, quem chora?

 

(Noite imóvel, noite escura,

forrada de sedas suaves,

pequeno mundo sem chaves,

quase como a sepultura.)


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